sexta-feira, 21 de julho de 2017

A planta do algodão

O lenço que me tapa
o rosto
é o mesmo que me amordaça
a boca.
Em
que me escondo,
com o meu silêncio.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Disto

Eu disto de ti de menos
e quanto menos disto
sinto
que à distância conquisto
espaços mais pequenos.

Disto daquilo
que faz aumentar a saudade nua,
despida
da presença tua
que disto, que me deixa intranquilo.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Dois pontos de vista

Vi:






(comparação entre o zero e o infinito)

Nota: inspirado na ideia de Fernando Pessoa sobre o tema.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A hora triste

Nunca sei quando acaba a noite
e começa a madrugada.
Esse instante de silêncio
escuro, pardacento.
Quando a luz
mantém ritmo
de sombra.

O frio
na jornada cresce
e fica parado na hora
triste. Ausente de movimento.
Inerte, vive dessa consciência dura:
Os noctívagos descansam no sono dos solares,
tudo é duma vastidão serena, planície, planalta.

Não há voo de morcegal,
não pia o bufo real,
dorme o lobo ao luar
cheio. Luzes das casas apagadas
e a solidão tão triste,
de quem ainda desconhece
a cura para a insónia!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Cheio de traça

Vestia, despia a roupa
despia, vestia a roupa
a roupa vestia e despia
vestia a roupa e a despia...
Escrevia e lia o caderno
lia e escrevia no caderno
o caderno lia e escrevia
escrevia o caderno e o lia...
A cada momento que passa
menos espaço no roupeiro,
cheio de traça!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

sistema circulatório

Cortaram-me a veia poética
e escorreu-me poesia
da ferida.

Fiquei só com a artéria,
espero
que essa ninguém corte...